DECLARAÇÃO DE APOIO AO MANIFESTO “ARRANCAR ALEGRIA AO FUTURO”, DE SÁIDA DO PSTU

Venho, por meio deste, declarar meu apoio ao manifesto “arrancar alegria ao futuro”, anunciando assim a minha saída do PSTU e, por conseguinte, me declarando, doravante, enquanto simpatizante das posições políticas do conjunto de companheiros e companheiras que se expressam e se organizam através deste manifesto, em coerência com meu posicionamento interno no partido, quando subscrevi tais ideias e críticas em relação á política da direção majoritária.

Fui fundador do partido e, antes deste, militei na histórica Convergência Socialista, enquanto corrente interna do PT, desde 1984, iniciando minha atuação- por esta organização – ( já militava no movimento estudantil desde 1981) na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense e, adiante, passando a atuar no movimento sindical enquanto advogado sindical e militante político, registrando, como pequeno balanço, minha atuação em diversas oposições sindicais, sindicatos, especialmente na Baixada Fluminense, na década de 80; ABC paulista e São José dos Campos a partir de 1989 e toda a década de 90; Após 2000 retornei ao Rio de janeiro onde atuei e atuo em grande quantidade de oposições sindicais, metalúrgicos de Niterói, petroleiros, trabalhadores de processamento de dados, aeroviários, rodoviários, apoio á CIPAs, entidades sindicais, aqui e também fora do Estado. Além disto, milito na área de direitos humanos, tendo sido até recentemente Vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OABRJ . Fui também por 3 vezes candidato pelo partido, uma vez para vereador em São José dos Campos e duas vezes para vice-prefeito em Niterói. Ajudei a legalizar este partido e fui até então membro de seu coletivo de advogados e advogadas, o que sempre muito me orgulhou.

Portanto, por este partido fazer parte de minha historia de vida, saio com muita tristeza, porquanto além dos laços de companheirismo, considero esta cisão de centenas de militantes uma derrota para o movimento socialista brasileiro e mundial, sobretudo neste momento de duros ataques econômicos e políticos aos trabalhadores e trabalhadoras, quando carecemos de unidade para lutar e construir uma alternativa , mas, por outro lado, tenho também a convicção de que,infelizmente, impraticável manter-me nos marcos e implementando a atual política do partido.

Com todo respeito á posição da maioria, mas realmente discordo da posição adotada de não buscar construir uma Frente de Esquerda com demais partidos no campo da esquerda, PSOL e PCB, o que já entendia correto desde as eleições passadas, mas, para além disto, entendo que adotamos uma postura sectária e auto proclamatória de, na prática, não buscarmos atuar em frente com outras organizações do campo de esquerda, tanto contra a burguesia, como em relação ao PT, em seu recente governo de colaboração de classe, com o PMDB. Também penso que não denunciamos, como deveríamos denunciar, o golpe parlamentar-judicial, (atípico como também ocorreu no vizinho Paraguai), para fins de depor um presidente eleito pelo povo e colocar em seu lugar, o representante direto de outro setor político-empresarial. Para mim, somente a classe trabalhadora e o povo pobre, através de suas mobilizações, que elegeu Dilma, poderia retirá-la da presidência e não manobras antidemocráticas, apoiadas em interpretações judiciais canhestras e um congresso nacional corrupto. Isto evidentemente não significa apoiar o “fica Dilma”, mas sim recusar um golpe antidemocrático, que abre portas para outros contra os trabalhadores. Também discordo da forma como estamos construindo a CSP-CONLUTAS, onde também, a meu ver, deixamos de construir frentes únicas com demais setores; Sobre nossa atuação, ainda, vejo que dedicamos pouca atenção a uma efetiva polícia de direito humanos, o que, neste particular, me traz muita preocupação, considerando toda atual onda reacionária no Brasil e mundo.

Enfim, neste marco de diferenças – e considerando que os companheiros da tendência que subscrevi deliberaram coletivamente pela separação amigável, como está ocorrendo-, não vejo como permanecer no partido com tais posições, o que seria impossível, até porque, como figura pública na advocacia, tenho que constantemente me manifestar e teria muita dificuldade de assumir uma política com a qual de fato não concordo em seus eixos principais, incluindo também as avaliações sobre a realidade internacional, especialmente os reflexos do fim da URRS; Deixo o partido, deste modo, com a feliz memória de que devo ao PSTU a maior parte de minha formação política de esquerda e experiência no movimento, pois foi aqui onde aprendi o quanto são indispensáveis os conceitos de independência de classe, democracia operária e internacionalismo, além de haver me proporcionado conhecer as principais lições de Leon Trotsky, maior diretriz política que já tive em minha vida, dentro do conjunto dos ensinamentos de Marx, Engels, Rosa de Luxemburgo e Lenin. Não fui um militante ideal,muito pelo contrário, pois, inclusive, no último período, estive um pouco distante dos organismos internos, por problemas profissionais, mas também por uma evidente perda de entusiasmo com a nossa política. Todavia, tenho a convicção que ajudei a construir este partido, com todas as minhas debilidades, e, com isto, contribuí modestamente com a luta da classe social que, acredito, possui o direito histórico de futuramente fazer a revolução e chegar ao poder, a fim de por fim em toda esta exploração e miséria: a classe operária. Como diz o manifesto que ora endosso, (…)Reivindicamos as resoluções dos quatro primeiros congressos da III Internacional; defendemos a teoria da revolução permanente e o Programa de Transição de Leon Trotski; abraçamos a herança do trotskismo latino-americano que teve em Nahuel Moreno seu principal dirigente e organizador; defendemos um marxismo ao mesmo tempo rigoroso na utilização dos conceitos e aberto na interpretação dos novos fenômenos; entendemos que o revolucionário é, em primeiro lugar, um rebelde, e por isso o regime interno de uma organização marxista deve se caracterizar tanto pela disciplina na ação, quanto pela ampla liberdade de discussão, e que esses dois aspectos não são contraditórios, mas sim complementares e inseparáveis(…)

Despeço-me fraternalmente do PSTU, sem qualquer mágoa, agora como seu ex-integrante, e espero francamente que nossa convivência possa continuar se pautando pelo respeito e diálogo, assim como desejo manter os amigos que neste possuo, aguardando sinceramente que a recíproca seja verdadeira. Continuaremos juntos na luta, na CSP CONLUTAS, no cotidiano, e, como ensinou Karl Marx, a prática é o critério da verdade, de maneira que a luta, a história, demonstrará definitivamente quem possui razão nestas polemicas, que, contudo, não podem jamais impedir que nos unamos para lutar e que, nesta luta, consideremos, sem intolerância, as opiniões diversas. Declaro assim apoio á presente separação em relação ao PSTU e, partir de agora, simpatizante deste movimento que ora se inicia. Para arrancar alegria ao futuro, e, acrescentarei: para que não percamos a alegria ao lutarmos.

Niterói, 3 de julho de 2016,

Aderson Bussinger Carvalho