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Há cerca de oito meses, começamos uma batalha por nossas ideias dentro da LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores) e do PSTU. Temos orgulho de ter dedicado o melhor de nossas forças nessa organização, mas hoje escolhemos um novo caminho. Leia o manifesto de separação do PSTU e pela construção de uma nova organização socialista e revolucionária no Brasil.

Quem somos?O presente manifesto é assinado por algumas centenas de companheiras e companheiros que no passado fizeram uma aposta militante no PSTU. Temos orgulho de ter dedicado o melhor de nossas forças nessa organização, mas hoje escolhemos um novo caminho. Pertencemos a diferentes gerações, somos veteranos e jovens, mulheres e negros, LGBT’s, professores e operários, petroleiros e estudantes, ativistas e dirigentes sindicais que constroem a CSP-Conlutas e de sindicatos de base, trabalhadores da saúde e do transporte, desempregados e intelectuais, funcionários públicos e terceirizados. Há cerca de oito meses, começamos uma batalha por nossas ideias dentro da LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores) e do PSTU. Neste manifesto, queremos expressar nossas posições e as conclusões a que chegamos.

O que pensamos?
Acreditamos que as dificuldades enfrentadas pelos revolucionários neste início de século 21 encontram sua explicação mais profunda no impacto reacionário da restauração capitalista no Leste Europeu, Ásia e Cuba. A ofensiva política, econômica, social, militar e ideológica do imperialismo, a campanha sobre “o fim da história” tiveram grandes consequências. O movimento de massas retrocedeu em sua consciência e organização, a esquerda reformista se integrou à ordem burguesa e os revolucionários sofreram os efeitos de anos de confusão e crise.E os processos revolucionários do último quarto de século se limitaram a derrubar governos e, quando muito, regimes militar-policiais. A crise de direção revolucionária, amplificada pelos efeitos da restauração capitalista, não possibilitou ainda o triunfo de nenhuma nova revolução socialista no século 21.Mas o mar da história é agitado. A crise econômica de 2007-2008 abriu uma nova situação internacional marcada pela instabilidade e polarização política, social e militar. E surgiram fenômenos altamente contraditórios, como a Primavera Árabe, o conflito na Ucrânia, a ascensão de partidos neo-reformistas como Syriza e Podemos, a crise dos refugiados, o fortalecimento da direita em várias partes do mundo, o declínio dos governos de colaboração de classes na América Latina, o avanço do fundamentalismo islâmico e cristão, o ascenso da luta antirracista, feminista e antilgbtfóbica, as jornadas de Junho de 2013 no Brasil, a guerra civil na Síria, a crise da União Europeia e tantos outros.A nova situação mundial abre importantes perspectivas aos socialistas. E a postura dos revolucionários diante da reorganização da esquerda deve ser firme, porém, paciente. Porque o caminho da autoproclamação nos condenaria à marginalidade. Sabemos que o isolamento, a condição de minoria e a luta contra vento e maré durante tantas décadas deixaram em todos nós cicatrizes, reflexos sectários que devemos ter a coragem de superar.Apresentar um programa revolucionário não é o bastante para construir uma organização marxista. É somente uma das pré-condições. O decisivo é que esse programa seja ouvido e que lutemos por nossas propostas em cada espaço, que elas sejam compreendidas pelas massas e por sua vanguarda. Não superaremos a marginalidade com um programa ultraesquerdista ou com bandeiras que os trabalhadores às vezes nem sequer compreendem.No terreno da política nacional, por sua vez, as diferenças não foram menores. Há mais de um ano vínhamos afirmando que era preciso enfrentar, com centralidade, a política de ajuste fiscal do governo Dilma, mas combater também a oposição burguesa que queria derrubá-la, apoiando-se em mobilizações reacionárias que abriram caminho para o atual governo Temer. Para esta luta, acreditávamos que era necessário construir a mais ampla unidade de ação com todos os setores que estivessem na oposição de esquerda ao governo e, se possível, dar a esta unidade uma forma organizativa: uma frente de luta ou campo alternativo ao governo e à oposição de direita.Depois que a maioria da burguesia se unificou em torno à proposta de impeachment, a partir de fevereiro de 2016, defendemos internamente que era vital lutar contra esta manobra parlamentar, sem que isso significasse, evidentemente, prestar qualquer apoio político a Dilma. Porque avaliávamos que a derrubada do governo do PT só teria um sentido progressivo se realizada pelas mãos da própria classe trabalhadora, por meio de suas próprias organizações. Ao contrário, se liderada pela oposição de direita, a derrubada de Dilma seria uma saída reacionária para a crise política; deseducaria os trabalhadores em sua tarefa de autoemancipação. A segunda hipótese foi a que ocorreu. Debatemos estas e outras diferenças lealmente. Mas foi atingido um ponto de saturação. As relações de confiança, portanto de fraternidade, indispensáveis para uma militância lado a lado, deixaram de existir ou foram fortemente abaladas pela intensidade da luta. Quando as diferenças se fazem insolúveis, quando a possibilidade de síntese se esgota, quando as discussões se tornam intermináveis e as polêmicas improdutivas, o perigo da desagregação passa a ser maior que tudo. Prosseguir com o combate ameaçaria uma ruptura abrupta e desmoralizante. Para preservar o maior patrimônio de qualquer organização, seus militantes, optamos por encerrar a luta e oferecer uma saída organizada para a crise. Deixamos o PSTU.

Continuamos reconhecendo esse partido como uma organização revolucionária. Mas nem sempre é possível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização. Apostamos na possibilidade de uma separação amigável, exemplar, evitando repetir as rupturas explosivas e destrutivas do passado. E permanecendo parte da Liga Internacional dos Trabalhadores, como organização simpatizante.

O que queremos?
Reafirmamos nossa disposição em continuar a luta pela revolução socialista, construindo uma nova organização nacional. Reconhecemos a ação consciente e organizada como a única historicamente eficaz. Sobre a base do marxismo, da teoria leninista de organização e de toda a experiência histórica do movimento operário e socialista mundial, queremos construir algo novo. Admitimos, com sincera humildade e respeito, que não somos os únicos revolucionários no Brasil ou no mundo.

Somos parte da grande árvore do marxismo revolucionário mundial. Reivindicamos as resoluções dos quatro primeiros congressos da III Internacional; defendemos a teoria da revolução permanente e o Programa de Transição de Leon Trotski; abraçamos a herança do trotskismo latino-americano que teve em Nahuel Moreno seu principal dirigente e organizador; defendemos um marxismo ao mesmo tempo rigoroso na utilização dos conceitos e aberto na interpretação dos novos fenômenos políticos.
Todo revolucionário é, em primeiro lugar, um rebelde, e por isso o regime interno de uma organização marxista deve se caracterizar tanto pela disciplina na ação, quanto pela ampla liberdade de discussão, e que esses dois aspectos não são contraditórios, mas sim complementares e inseparáveis.

Sabemos que a degeneração do PT alimenta uma saudável desconfiança entre os lutadores jovens que não querem ser manipulados como a vanguarda da geração anterior. Milhares de ativistas se perguntam como controlar suas próprias organizações. E têm razão! Porque o tempo da ingenuidade e da credulidade nos líderes precisa ficar para trás. Queremos uma organização em que não haja lugar para arrivistas, oportunistas, para aqueles que querem obter vantagens e benefícios pessoais. Queremos entre nós os despojados de pretensão, os desapegados de ambição, os desprendidos de vaidade.

A luta é aqui e agora
O maior desafio de nossas vidas, o sentido de nossa militância, é o triunfo da revolução socialista. A classe trabalhadora e o povo oprimido devem se elevar à altura do combate que a história convoca. Treze anos de governos do PT demonstraram que a estratégia de regulação do capitalismo através de minúsculas reformas social-liberais conduziu o país a um desastre de proporções catastróficas. A direção do PT é a primeira responsável pela tragédia que se abate hoje sobre a classe trabalhadora. Lula e Dilma traíram um sonho e abriram o caminho para Temer e Henrique Meirelles. A verdadeira libertação dos explorados e oprimidos passa, portanto, pelo combate à conciliação de classes promovida pelo PT e pela retomada de uma estratégia de ruptura revolucionária da ordem.

A crise e a falência estratégica do PT, demonstrada nas jornadas de Junho e na queda de Dilma, colocam para a esquerda marxista brasileira o dilema de sua própria crise, de sua própria marginalidade, de sua própria fragmentação. Os calendários eleitoral e sindical não comportam mais as lutas que explodem por todos os lados. É preciso uma saída estratégica. É nesse sentido que precisam trabalhar os marxistas revolucionários.

Mas as lutas dos explorados e oprimidos não podem esperar. Elas estão ocorrendo aqui e agora. Para que sejam vitoriosas, precisam contar com a mais profunda solidariedade e a mais ampla unidade.

Essa unidade na ação passa hoje pela bandeira do Fora Temer, quer dizer, contra o governo de plantão. Sem a unidade dos movimentos sociais combativos em torno a essa tarefa decisiva, corremos dois perigos. O primeiro é que o impulso desses enfrentamentos parciais se disperse. O segundo é que os combates sejam conduzidos pela direção do PT para seu projeto de voltar ao poder com Lula. Ou seja, a chantagem do mal menor.

A maior tarefa da esquerda anticapitalista, portanto, é abrir o caminho e começar a construir desde já outra saída. Nenhum dos partidos e organizações da esquerda combativa pode hoje oferecer esta saída, por si só. Para ser efetiva, essa saída precisa ser construída de fato por todas as correntes e organizações combativas do movimento social, por todos que desejam sinceramente conformar esse campo alternativo da classe trabalhadora.

Defendemos a unidade de um terceiro campo também nas eleições municipais de 2016. Propomos ao PSTU, ao PSOL, ao PCB, às organizações políticas que não possuem legalidade e aos movimentos sociais a construção de uma Frente de Esquerda e Socialista, com um programa de ruptura com os planos de ajustes aplicados pelos governos. Nos colocamos desde já a serviço dessas grandiosas tarefas.
Queremos, enfim, construir uma organização que resgate a grandeza e a integridade do projeto socialista; uma organização que seja digna da memória daqueles que vieram antes de nós e entregaram suas vidas na luta pela igualdade social; uma esquerda revolucionária não-dogmática, avessa às poltronas de couro dos gabinetes parlamentares e também avessa à burocratização dos sindicatos, que priorize a luta direta das massas, que dialogue com a ampla camada de ativistas do último período, capaz de influenciar verdadeiramente os rumos da luta de classes no país, de inspirar confiança e esperança novamente.

O desafio é gigantesco, mas temos confiança que podemos, como dizia o poeta Maiakovski, “arrancar alegria ao futuro”. É chegada a hora de ousar. Mais do que nunca, é preciso lutar, é possível vencer.

Os assinantes do presente manifesto convidam também a todas e todos a conhecerem a nova organização e a participarem do ato nacional de lançamento, que ocorrerá no sábado, 23 de julho, na cidade de São Paulo. Horário e local a confirmar.

Viva a unidade e a luta dos explorados e oprimidos do mundo inteiro!
Viva a revolução! Viva o socialismo!

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